R.I.P

foto: Christoph Niemann

por carol

Aquele sábado a noite já começou genial, os anfitriões decidiram colocar o computador (com conexão à internet) em cima da televisão, resultado: passamos a noite entre pérolas do Youtube e resolução rápida de dilemas.

– Você sabia que tomate é fruta?

– Não, é frutO, com “o”.

–  Google.


Parece um pouco radical, colocar o computador no centro da sala de estar e passar a noite bebendo cerveja, comento pizza e assistindo vídeos no youtube, mas para nós aquilo fez o maior sentido, era como se nunca tivesse sido diferente. Acredito que as mudanças mais profundas chegam assim, não nos lembramos como elas vieram, nem como era a vida sem elas.

Não me lembro se era fruta ou fruto (aquele lance do tomate), mas me recordo que naquela noite tudo foi baseado nela, a internet e nele, o computador. Que agora ocupa o lugar mais alto da sala: em cima da TV.

R.I.P

Saiba mais sobre essa imagem no post a seguir.

A TV, que por anos foi idolatrada pelas famílias em seu belo altar de mogno ou marfim, naquela noite pode perceber com pesar que o seu fim estava próximo, mais ainda, já havia chegado e só dependia da coragem de seus donos para dar embora aquele “trambolhão”, que um dia atendeu pelo nome de “caixa mágica”.

 

Anúncios

por Aline

Recentemente, nós, as garotas do Ouseudinheirodevolta, estávamos conversando sobre quantas coisas legais existem na internet e que somente graças a ela certos conteúdos podem ser veiculados.

Pare para pensar em quantos vídeos legais e “alternativos” você já assistiu pelo youtube e que, se não fosse por esse espaço, o autor jamais poderia ter levado seu trabalho a público. Graças ao Twitter, podemos acompanhar grandes manifestações populares, de ideias, de revoltas, de apoios, e muito mais, que não são veiculadas pela mídia tradicional. 

Graças aos blogs (como o nosso querido espaço nessa página) temos tanta oportunidade de manifestar ideias e opiniões quanto os colunistas e comentaristas que vemos nos jornais. É claro que cabe a você conquistar e manter seus leitores, mas a porta está aberta.

Sabemos que a liberdade de postagens na internet dá margem à reunião de muito conteúdo ruim, depreciativo, de mal gosto, de má qualidade. Mas o mundo digital também é plataforma para muita produção bacana, divertida, importante e inclusive, coisas de qualidade surpreendente. E é a isso que devemos nos atentar.

Pensando nessas coisas nós decidimos divulgar aqui no blog algumas dessas coisas legais que rolam no mundo virtual. Toda semana o “A internet vale a pena porque…” vai trazer uma dica interessante.

Para iniciar essas nossas postagens nós apresentamos um vídeo da cantora e compositora nova iorquina Julia Nunes. Não estranhe. A garota de 21 anos é nascida nos EUA mas seus avós são portugueses e o nome familiar aos nossos ouvidos vem daí. Ela ficou famosa na internet por interpretar músicas de outros artistas, mas com um toque particular.

Além de ter uma voz grave sensacional, Julia insere nas melodias seus próprios instrumentos, como o violão, a melódica (uma mistura de flauta com teclas de piano, como podemos ver na imagem acima) e o ukulele (um instrumento havaino que parece um violão e tem um som bem legal!).  Além da edição criativa, jeitos e trajeitos característicos e divertidos, a menina ainda consegue se reiventar nas produções, como um coral de amigos surgido no fundo enquanto canta a lindíssima “Build me up, Buttercup”.

Ela começou com a internet, mas hoje sua música está além das telas do computador e Julia já se apresenta em shows pelo EUA. Mas enquanto a carreira da menina não toma proporções internacionais, nós, aqui no Brasil, podemos vê-la pelo bom e velho (hehe) Youtube, como no vídeo abaixo, com ela cantando “Accidentally in Love”.

Sua Mãe!

novembro 2, 2010

“E se alguém chegar e disser que no fundo você tem que ouvir mais sua mãe…”

por Carol

Dei muita risada quanto soaram as primeiras notas de “Vanessa e o Véu”, a banda (Sua Mãe) no entanto é muito séria, tem myspace, twitter, orkut, site, CD lançado e tudo mais. A risada é talvez a maneira de compreender e admitir que a mistura das influências Odair José, Reginaldo Rossi, George Harisson, U2, Retrofoguetes, Radiohead e Muse, deu certo.

E deu mesmo. Quanto se reconhece a voz do ator Wagner Moura em Vanessa e o Véu o primeiro impulso é mesmo rir, depois levar a sério e terminar curtindo. Eu fico sempre com uma alegriazinha besta quando encontro algo de novo e bom na música brasileira. Não sou grande garimpadora de novas tendências então as coisas boas e novas (talvez não necessáriamente as duas coisas juntas), demoram para chegar aos meus ouvidos.

Sua Mae chegou e fiquei encantada novamente. Não saberia explicar que resultado deu a mistura das letras intensas de Reginaldo Rossi com o rock bom moço e irlandês do U2, mas vale muito apenas pelo menos matar a curiosidade:

Sua Mãe!

Quem faz
Wagner Moura: voz
Gabriel Carvalho: guitarra solo e vocais
Ede Marcus: guitarra base e vocais
Claudinho Chacha: violões e vocais
Tangre Paranhos: teclados e vocais
Serjão Brito: baixo
Leco: bateria
.
É fácil achar qualquer coisa no Google hoje em dia, mas vou facilitar, taí o link pro site deles, ou dela. www.suamae.com.br
Abraços

 

Indiretas Já!

novembro 2, 2010

Por Marina

Mesmo com a proximidade do resultado das eleições 2010, meu post não tem nada a ver com política. Só se for a política dos relacionamentos mal-resolvidos. Atire a primeira pedra quem nunca deu uma indireta.

Desde os primórdios, o ser humano se apropria de frases sutis, expostas de forma indiferente perante outros da mesma espécie, para designar qualquer tipo de sentimento em relação a determinado assunto, com determinada pessoa, em certa situação em que a sinceridade direta não se enquadra.

Veja bem, não se trata de mentir sobre o assunto, mas de externá-lo como forma universal, sem destinatário explícito, mesmo que não exista – nunca – uma indireta sem destinatário. No meio disso, o mundo virtual não fica de fora. Há poucos anos, o hit do momento era dar indiretas via nick de MSN. Era bonito, elegante. A pessoa que colocava a frase sempre alegava que o ser receptor da frase sabia muito bem que era pra ele. Hoje, as coisas mudaram. As indiretas vêm por Twitter, o que deixou essa idéia de consciência de recepção muito mais vaga.

Os casos são, em sua maioria, os mesmos: problemas amorosos. Mas nisso, acabam entrando todos os problemas mal-resolvidos. Exemplo disso é o acordo que fiz com as meninas que moram comigo. Não daríamos indiretas pelo Twitter. É simples. Desabafe no MSN, por telefone, pessoalmente, por que não? Mas não gere na casa aquele clima de ‘será que fui eu?’

Porque indiretas são assim. É o princípio delas: não ser direta. E não sendo direta, não se pode ser objetiva. E o que não é objetivo, só pode ser subjetivo. Dessa forma, quem dá a indireta tem idéia de que cada serzinho no mundo que ler aquela frase vai interpretá-la de uma maneira? Eu aposto que não!

Pois deveria. Outro dia coloquei uma frase naquele espaço para mensagem pessoal no MSN. Meu ex encanou que era pra ele. E não era. Nunca foi. Mas o que nós, lançadores de indiretas, não entendemos, é que toda pessoa carrega dentro de si uma dose de egoísmo. Sendo assim, quase toda pessoa que tiver acesso à indireta vai achar uma relação com alguma atitude que ela teve. O que é uma merda, porque dentre essas ‘quase toda pessoa’ nunca está inclusa a pessoa que realmente deveria entender. Ou se está, ela nunca vai fazer qualquer tipo de menção sobre isso (a menos que seja algo muito forte que vire um barraco sangrento).

Uma forma engraçada de dar indiretas, e que também é muito utilizada desde os primórdios, é através de música. Você fica achando que nunca pensaria algo tão bom e tão cabível quando aquele verso. Vai lá e twitta. Caixão na certa. Seus amigos vão te zoar, teu ex vai achar que é pra ele, aquela biscate vai achar que você ta dando em cima do namorado dela. Tudo isso, mas o bofe que você queria atingir não vai nem ler.

Ou vai fazer pior. Constatando tudo que eu já falei acima, muitas pessoas, quando observam frases aleatórias e que proporcionam muitas interpretações e reações, simplesmente ignoram. Elas ignoram sua indireta! Exatamente por conta do ângulo. Quando você é o emissor da indireta, você realmente acha que a pessoa sabe que é pra ela. Mas quando você é, supostamente, o receptor, a dúvida paira no ar e, pra não fazer papel de idiota, você só ignora. Finge que não viu. Aí o mundo desmorona.

Acho que o que eu estou querendo dizer é que as indiretas são boas, divertidas, mas que elas funcionam de verdade para uma pequena parcela dos emissores. A maioria de emissores acha que foi bem-sucedido, enquanto a maioria de receptores fica esperando uma direta para mudar ou tomar alguma atitude. E então, política resolve o impasse das indiretas?

Sem chá, nem colher

novembro 1, 2010

por Carol

Saio do Estadão no dia 27 de outubro e penso  “caralho e agora?” A idéia era pegar um ônibus para o terminal Tiete, lá mais uma série de metrôs que me levariam à saudosa Avenida Paulista mais precisamente na concorridíssima Cásper Líbero para encontrar a minha salvadora, meu teto, a doce Amanda.

Não sei quem anda cuidando do marketing da maior cidade da América Latina, mas o caminho foi incrivelmente mais fácil, simples, rápido e barato que as minhas previsões. Estava sozinha em São Paulo pela primeira vez e continuava inteira, sem nenhuma bulinação ilegal no vagão, assalto, chuva de meteoros ou ladrões de rim. Eis a danada, Paulista!

Encontrar a Amanda após quase um ano do fatídico processo seletivo que não nos trouxe emprego, mas uma amizade bizarra, foi surpreendente, meio loucura querer me hospedar na casa de alguém que eu vi apenas duas vezes na vida, loucura  dela também em me receber.

O lance é que cada detalhe dessa viagem rápida foi um certo sentimento de “agora vai”, tinha que ir pra São Paulo sozinha, apesar da vergonha e a morte iminente, tive que buscar teto na casa da Amanda, pegar diversos metrôs lotados, carregando duas bolsas, se não fosse assim, não seria.

Ninguém me levaria à Mackenzie com a Iza (que saudade filha da puta da Iza), se eu não fosse até lá a pé. Só Deus sabe quanto eu realmente andei naquele dia, mas eu apostaria facilmente nuns mil quilômetros. (!!)

O lance legal de se tornar adulta e meio dona do seu nariz é esse: você reúne suas forças e vai. A coisa chata é que ninguém vai pegar na sua mão (talvez vá, para te assaltar), nem vai entender se você chorar. É um tanto assustador ao mesmo tempo que libertador realizar isso, não há colher de chá para quem já cozinha sozinho. As pessoas simplesmente passam por você, assim como passaram por mim na bela Paulista, correndo para seus empregos ou processos seletivos, tentando a todo custo manter a sanidade, o dinheiro e talvez o rim no lugar devido.

por Carol

Acordar cedo não é legal, acordar cedo no frio não é legal mesmo.

 

Acordar cedo, no frio e pegar um micro-ônibus lotado é deprimente.

 

Acordar cedo, no frio, pegar um micro-ônibus lotado ao lado de duas mulheres de terninho é desesperador!

 

Você olha para as senhoras e já repara no tecido “social”, calça da mesma cor da blusa, um logotipo estampado no peito e conclui: uniformes. Tudo bem, você se anima, não é a roupa que faz a pessoa, elas são obrigadas a usar esse terninho combinando com a calça, mulheres de terninho não são necessariamente mal humoradas. Ok.

Mas aí a viagem prossegue o motorista, pobre mortal desavisado, erra o caminho e a paz está comprometida. As mulheres portando os terninhos verde musgo soltam um compreensivo “puts”, até aí tudo bem, você concorda que ele poderia ter prestado mais atenção, mas compreende que a alteração do itinerário não lhe atrasará mais de 5 minutos, tenta dormir.

Só que as mulheres do terninho não se contentam e começam baixinho, “o transporte público é uma vergonha”, uma exclama, a outra balança a cabeça em afirmativa. Segundos depois os comentários isolados se tornam um diálogo, em um volume mais alto que o suficiente para se fazer ouvir por todo micro-ônibus. O motorista saca que os comentários são voltados à sua pessoa e responde, “eu tive que passar na rodoviária antes, já já estaremos no centro”. Instaura-se o caos.

As mulheres de terninho levam aquela resposta como uma afronta e partem para artilharia pesada. Gritam, esperneiam, ligam para a central, querem chamar a polícia, o prefeito, a mãe daquele motorista mal criado. De rostos vermelhos pela emoção matinal, que só uma briguinha no micro-ônibus pode proporcionar àquelas mulheres de uniforme, elas barram a minha saída, gentilmente peço licença e desço aliviada… Não se pode, nunca, provocar uma mulher de terninho.

Mas será o benedito?

agosto 19, 2010

por Carol

Um movimento iniciado hoje pela Associação Nacional dos Guardas, Policiais e Utilizadores de Força Bruta (ANGPUFB) deixou todo mundo espantado. O movimento trata-se de uma demissão em massa de todos os profissionais da segurança do país que partiram no que foi chamado “debandada geral”, para a cidade de São Thomé das Letras-MG.

A assessoria de imprensa da ANGPUFB justificou a escolha da cidade como “um lugar onde todos poderão ouvir música boa e plantar pra comer”, em nota divulgada ainda esta manhã os líderes do movimento deixam um recado à população: “Não queremos ser grosseiros, mas gostaríamos que todos fossem à merda”.