quem se enfeita…

março 15, 2011

por amanda

estava na fila do supermercado, repensando minhas compras e me convencendo de que não, eu não precisava de chocolate, quando a moça do caixa chamou o próximo da fila – eu.

Enquanto ela marcava o preço do pão, do miojo e do sabão em pó (lista básica de quem mora sozinha), uma senhora pequena, de cabelos grisalhos e muy bem arrumada encostou do meu lado, aguardando a vez.

“Olha como ela está bonita! Toda maquiada…” – disse referindo-se à moça do caixa.

“Sabe,” – continuou – “já dizia a minha avó: quem se enfeita, se ajeita! A gente nunca sabe o que o nosso destino nos reserva. Eu conheci meu marido assim: estava passeando na rua com meu cachorrinho quando aquele moço bonito passou de carro. Buzinou e encostou do meu lado pra gente conversar, trocamos telefone e tudo. Demorou, mas 10 anos depois estávamos casados.”

e, por 3 segundos, eu considerei a possibilidade de comprar um cachorro.

Indiretas Já!

novembro 2, 2010

Por Marina

Mesmo com a proximidade do resultado das eleições 2010, meu post não tem nada a ver com política. Só se for a política dos relacionamentos mal-resolvidos. Atire a primeira pedra quem nunca deu uma indireta.

Desde os primórdios, o ser humano se apropria de frases sutis, expostas de forma indiferente perante outros da mesma espécie, para designar qualquer tipo de sentimento em relação a determinado assunto, com determinada pessoa, em certa situação em que a sinceridade direta não se enquadra.

Veja bem, não se trata de mentir sobre o assunto, mas de externá-lo como forma universal, sem destinatário explícito, mesmo que não exista – nunca – uma indireta sem destinatário. No meio disso, o mundo virtual não fica de fora. Há poucos anos, o hit do momento era dar indiretas via nick de MSN. Era bonito, elegante. A pessoa que colocava a frase sempre alegava que o ser receptor da frase sabia muito bem que era pra ele. Hoje, as coisas mudaram. As indiretas vêm por Twitter, o que deixou essa idéia de consciência de recepção muito mais vaga.

Os casos são, em sua maioria, os mesmos: problemas amorosos. Mas nisso, acabam entrando todos os problemas mal-resolvidos. Exemplo disso é o acordo que fiz com as meninas que moram comigo. Não daríamos indiretas pelo Twitter. É simples. Desabafe no MSN, por telefone, pessoalmente, por que não? Mas não gere na casa aquele clima de ‘será que fui eu?’

Porque indiretas são assim. É o princípio delas: não ser direta. E não sendo direta, não se pode ser objetiva. E o que não é objetivo, só pode ser subjetivo. Dessa forma, quem dá a indireta tem idéia de que cada serzinho no mundo que ler aquela frase vai interpretá-la de uma maneira? Eu aposto que não!

Pois deveria. Outro dia coloquei uma frase naquele espaço para mensagem pessoal no MSN. Meu ex encanou que era pra ele. E não era. Nunca foi. Mas o que nós, lançadores de indiretas, não entendemos, é que toda pessoa carrega dentro de si uma dose de egoísmo. Sendo assim, quase toda pessoa que tiver acesso à indireta vai achar uma relação com alguma atitude que ela teve. O que é uma merda, porque dentre essas ‘quase toda pessoa’ nunca está inclusa a pessoa que realmente deveria entender. Ou se está, ela nunca vai fazer qualquer tipo de menção sobre isso (a menos que seja algo muito forte que vire um barraco sangrento).

Uma forma engraçada de dar indiretas, e que também é muito utilizada desde os primórdios, é através de música. Você fica achando que nunca pensaria algo tão bom e tão cabível quando aquele verso. Vai lá e twitta. Caixão na certa. Seus amigos vão te zoar, teu ex vai achar que é pra ele, aquela biscate vai achar que você ta dando em cima do namorado dela. Tudo isso, mas o bofe que você queria atingir não vai nem ler.

Ou vai fazer pior. Constatando tudo que eu já falei acima, muitas pessoas, quando observam frases aleatórias e que proporcionam muitas interpretações e reações, simplesmente ignoram. Elas ignoram sua indireta! Exatamente por conta do ângulo. Quando você é o emissor da indireta, você realmente acha que a pessoa sabe que é pra ela. Mas quando você é, supostamente, o receptor, a dúvida paira no ar e, pra não fazer papel de idiota, você só ignora. Finge que não viu. Aí o mundo desmorona.

Acho que o que eu estou querendo dizer é que as indiretas são boas, divertidas, mas que elas funcionam de verdade para uma pequena parcela dos emissores. A maioria de emissores acha que foi bem-sucedido, enquanto a maioria de receptores fica esperando uma direta para mudar ou tomar alguma atitude. E então, política resolve o impasse das indiretas?