Nascido do erro

julho 5, 2010

por Marina

Er.rar (do infinitivo latino errare): cometer erro, equivocar-se, enganar-se; andar de um lado para o outro sem destino, vaguear.

É tão comum ficarmos chateados quando nossos planos dão errado, mas acho que nunca paramos para pensar que, talvez, as coisas só não saem como planejado porque não devemos estar em determinada encruzilhada de tempo e espaço. Aparte de todo debate sobre destino vesus livre arbítrio, acho que não existe nada que seja coincidência. Quero dizer, as coisas não podem acontecer ou não acontecer à toa.

Isso nos leva a um ensolarado sábado de abril, no começo do outono do ano passado. Um tanto quanto clichê, admito, mas, às vezes, a realidade é um pouco clichê, se pararmos para pensar. Depois de almoçar, embarquei em um ônibus rumo à metrópole campineira. Eu tinha ótimos planos! Estava indo me encontrar com a Carol (que, aliás, é uma profunda conhecedora da própria cidade) para irmos até um bar passar a tarde em um festival de bandas góticas. Quanto a esta última informação, dispenso quaisquer tipos de comentários. Assumo a responsabilidade da idéia [de girico] e assumo a ligeira expectativa palpitante no meu peito de reencontrar pessoas. Com tal pensamento, chego em Campinas e, contando sempre com a boa vontade da tia Zélia, Marina e Caroline partem em busca de uma tarde obscura no bar. Confiando no bom senso de direção da Carol, fui parar no Castelo, a pé e sem saber para qual direção seguir.

Depois de perguntarmos em algumas lojas, tivemos a brilhante idéia de conversar com os taxistas. Afinal, quem conhece melhor as ruas da cidade se não os taxistas? Agora, com um caminho a ser percorrido, partimos, a pé, para a direção indicada.

No meio do caminho, passamos por uma sorveteria, dois cachorros, um karaokê fuleira, erramos algumas ruas, perguntamos para estranhos e acabamos, finalmente, chegando com um pouco mais de uma hora de atraso. (Os detalhes da primeira impressão é melhor serem guardados em uma caixinha no fundo da memória). Descobrimos, por fim, que estávamos adiantadas e resolvemos fazer hora na praça, mais precisamente no parquinho da praça (cujo balanço a Carol quebrou). O bar não inspirava, as pessoas não inspiravam e foi tentador demais sair por aí conversando, ao invés de se enfiar em um bar. Por isso, depois de muita conversa, calor e poesia erótica, decidimos dar meia volta e fazer o caminho inverso, rumo aos planos falidos. Não só andaríamos como subiríamos todo o caminho de volta, em busca daquela sorveteria pela qual passamos.

Mal começamos o trajeto e já fomos abordadas por três jovens, uma moça e dois moços. Primeiro, a moça nos perguntou se poderia nos dar uma florzinha para alegrar nosso dia. Por que não? A Carol-viking pode não gostar de flores, mas a Marina-educação-britânica adora. Então, aceitamos. Eis que ela nos oferece algo mais: jhorei. Acho que nossa cara de espanto provocou uma reação comum aos detentores da informação. A moça começou a nos explicar que, durante 30 segundos, um dos moços se posicionaria na frente de cada uma de nós e, com a palma da mão erguida, descarregaria uma pá de energias positivas. De graça, até injeção na testa. Lá fomos nós. Enquanto uma lia o folhetinho, a outra recebia o jhorei. Como eu fui a primeira, não sabia o quão engraçado era a cena para quem via de fora. Na vez da Carol, simplesmente não conseguia controlar minha risada. Foi bom descobrirmos que eles têm templos e não saem fazendo isso no meio da rua (nada contra, somente foi engraçado os 30 segundos sem verborragia, sem saber pra onde olhar).

Com um mini-vasinho lindinho, com flores da cor da bandeira do Vaticano, continuamos nossa caminhada. Até que encontramos a sorveteria. Um lugar muito recompensador. Sorvete por quilo, barato e com uma infinidade de guloseimas para acrescentar. Terminamos a jornada ali mesmo, falando e fazendo planos, desenvolvendo a idéia deste blog. Não exatamente este, mas podemos dizer que foi ali que, naquele momento e lugar, parimos este blog. Um amontoadinho de celulose e imaginação. Por fim, errar nas escolhas e depois mudar de planos nem sempre acaba tão ruim.

Anúncios

4 Responses to “Nascido do erro”


  1. nem citou os trocadilhos como “A johrei de rir”? hehe, quem ler isso pensará que eu sou uma ogra. Sou um doce! Sempre bom esclarecer. adorei Má.


  2. hahahaha… Nada como se aventurar pelas ruas campineiras com a Caroline como guia. Imagine Carol, somente uma viking muito atrapalhada ao lado da lady Marina. Muito bom Má!

  3. Luiz Says:

    Que dia, heim!
    Acho que eu, com toda minha confusão rotineira (e a Marina sabe bem disso), ia criar vários blogs.

    Mas gostei.
    Beijo moças.

  4. Zeh Says:

    Se podemos mudar, por que não, né?! :B
    HASUEHASUEHAUSE joga unção no meio da rua. Tudo amarrado 3x em nome do senhor.

    =***


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: