O normal a fazer

março 22, 2010

A corrida já não adiantava mais, o atraso era um fato. Não é preciso dizer que o calor e o peso da bolsa feriam-lhe o humor.

A consulta seria remarcada. Ela culpava o motorista, o trânsito, as medidas eleitoreiras nas avenidas. Todos esses detalhes se uniram para arruinar-lhe o dia, a consulta seria remarcada, de novo.

Já não era um doce de pessoa em dias frescos e descansados, não costumava servir amores a qualquer um. Os passantes pagavam então, o preço do atraso do motorista, do trânsito e das obras eleitoreiras que empacavam as avenidas.

O clima campineiro caprichoso ornava sua aparência com agasalhos e guarda-chuva, inúteis aos surpreendentes 28 graus.

Os motoqueiros  elogiaram,  gritaram uma vez, ao fechar o semáforo, gritaram outras duas, três.

Ela ignorou a primeira, engoliu seco na segunda. Na terceira desceu do salto. Pensou em todos os adjetivos vagabundos atribuídos a ela e antes que pudesse segurar:

“VÃO SE FODER!!”

Parou a avenida, seguiu de alma lavada.

– carol

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One Response to “O normal a fazer”

  1. Amanda Says:

    Sempre quis mandar eles se foderem, prontofalei.


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